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| Comemoração em homenagem a São Jorge (Foto: Reprodução/ Almenice Alcântara) |
Nas redondezas de Ibotirama, Bahia, a continuidade permanece latente no pessoal de Morpará, município que compõe a região da cidade. Embora não saibam dos detalhes mais profundos dessa tradição secular, os moradores veteranos, tem suas explicações mais pessoais, experiências passadas de avós para netos.
Contar o surgimento na região denota a análise da dinâmica social, pois engloba grandes passagens de tempo e peculiaridades, mesmo havendo a essência dos mesmos. Ganham a força imagética, isso, por que, a oralidade vem sendo transmitida por determinadas lembranças marcantes.
"Os reis começaram pelas promessas dos povos. O santo era de Sra. Claudimira, depois, passou para Dona Maria, e, assim, continuou a tradição. Depois disso tudo, Dona Preta, e, por último, Paizim. Os reis seguiam de Mocambo do Branco até Tamboril de Jacó. Havia leilões, cânticos e fogos para comemorar.", diz um morador da cidade, relatando detalhes de sua história.
O senhor continua com a sua explicação, lembrando das expectativas para o próximo ano: "Em 2019 há uma expectativa para seguir o reisado, segunda promessa de Paizim". As promessas, a qual é referida, são pedidos aos santos de devoção, tendo vista alguma causa a ser realizada pelas forças divinas.
Os instrumentos usados são vários, destacando os seguintes;
*Sanfona;
* Caixa de Reis;
* Pandeiro;
"Antigamente, os uniformes eram femininos. Saias azuis e blusas brancas. Nos tempos antigos, homens não participavam dos Reis. Hoje já há participação masculina. Multidão de gente acompanhava os reis", finaliza, num retrato mental do que vivera.
O morador fez questão de responder uma das perguntas sobre a comparação de antes das pessoas chegarem a modernidade, com os tempos de hoje. "Esses eventos ocorrem desde o tempo das pessoas mais idosas. Antes era muito animado, mas algumas pessoas já se foram, ficando filhos e netos que mantém essa tradição. É muito animado sair nas comunidades cantando os Reis. Além dos Reis, tem também as chulas, ou seja, os versos que os cantadores recitam. É muito divertido", dá a continuidade.
Explicando como é, "É assim: Cantam o restante para não deixar essa cultura morrer. Temos os cantadores que a maioria é daqui, e outros são das comunidades vizinhas. Temos os instrumentos, que são: Caixa, Sanfona, Pandeiro e Triângulo. Nós também fazemos os festejos de São José, onde dia 19 de Março, tem a reza, procissão, e logo ao anoitecer, tem leilões", finaliza as suas lembranças.
O primeiro retrato audiovisual é em comemoração ao Menino Jesus, data comum de ocorrer os reisados. Essa tradição, diga-se de passagem, se instalou como premissa em comemoração ao nascimento do filho de Deus. O segundo, além de ser para Jesus, também uma homenagem a São José, um dos vários Santos reverenciados pelas famílias sertanejas.
As músicas cantadas nos vídeos, são: "Reisado a São José", conhecida popularmente na voz de Clemilda, e "Santo Reis Está Chamando", conhecida na voz da Família Dias.

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