XIQUE-XIQUE/BAHIA

A pesca compõe as atividades de subsistência (Foto: Reprodução/ Internet)
CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE XIQUE-XIQUE
Xique-Xique é um município brasileiro do estado da Bahia, sua população estimada em 2017 era de 48.365 habitantes, segundo o IBGE. Está situado à margem direita do Rio São Francisco que abriga um porto de grande importância para economia da região. Seu nome refere-se ao cacto xique-xique, muito comum na região.

Praça da Cidade (Foto:Reprodução/ Prefeitura de Xique-Xique)
ASPECTOS HISTÓRICOS
O município de Xique-Xique tem suas origens ligadas diretamente ao povoado do Vale do São Francisco. Em razão deste fato, a sua história somente será compreendida com o relato de determinados conjuntos de fatores que teriam motivado e possibilitado a penetração do Vale. O povoamento do Vale foi possível, entre outros fatores, pela introdução na área, a criação de gado que, na época, se destinava a suprir a falta de alimentos e a falta da força animal dos engenhos de açúcar. Com a derrota de Ameríndios em Sergipe as fazendas se multiplicaram e passaram a ser à base de suprimento da alimentação e do emprego da força animal para os engenhos de Pernambuco, Bahia e posteriormente, também, de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. As fazendas eram formadas situando-se à margem direita do Rio São Francisco, em terras, basicamente, pertencentes às duas famílias: A Casa da Torre e a do Mestre de Campo Antônio Guedes de Brito. A Casa da Torre possuía duzentas e sessenta léguas de terra pelo Rio São Francisco acima, à mão direita, indo para o sul, e indo do rio para o norte, oitenta léguas. As terras onde se posiciona o município de Xique-Xique eram de propriedades dos herdeiros do Mestre de Campo, Antônio Guedes de Brito. A área se estendia cento e sessenta léguas partindo do Morro de Chapéu à nascente do Rio das Velhas. Nesta área, parte dos currais pertencia aos detentores das terras e outros tantos pertenciam a terceiros que arrendavam sítios que, ordinariamente, mediam uma légua de extensão pagando por esse arrendamento dez mil réis.
Os paulistas enviados para combaterem as guerras do norte, muitos deles não retornaram, preferindo permanecerem no Vale com a atividade de proprietários de grandes extensões de terras. De Bandeirantes, isto é, de despovoadores, passaram a conquistadores. A criação de bovinos no Vale era promissora empregando-se portugueses, paulistas, baianos, índios e negros.
A conquista do Vale do São Francisco foi uma preocupação de D. João III, por isso, o primeiro civilizado a penetrar pelo rio e chegar à Ipueira, hoje conhecida como Ipueira de Xique-Xique, foi o então donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, em cumprimento às ordens vindas de Ultramar.
O sertanista Belchior Dias em missão explorativa, desbravou o atual território de Xique-Xique, continuada por seu filho Robério Dias. Este se casou na aldeia de Juru ou Geru. Do casal nasceu o coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moréia, o qual ficou conhecido em suas andanças pelo sertão como Muribeca. Todos estes exploradores deram sequência às tarefas de seus antecessores passando pelo Rio Verde, com destino às serras do Assuruá e de Santo Inácio.
Gabriel Soares de Souza, Capitão-Mor, Governador da Conquista e descobridor do Rio São Francisco, penetrou em terras de Xique-Xique, partindo de Jacobina tendo como seu guia o índio Aracy ou Guaracy, alcançou o Rio Verde. Segundo, Gabriel Soares de Souza nesta entrada em que usava índios mansos para atrair os bravos, acampados à margem do Rio Verde, certa noite despertou com uma briga entre o grupo. Para acalmá-lo, Gabriel Soares de Souza, agiu severamente o que ocasionou a dispersão do grupo. Gabriel Soares de Souza desapareceu nesta entrada próximo ao Morro da Fome, ponto de intercessão da atual linha limítrofe entre Xique-Xique, Central e Jussara.
O interesse maior desses exploradores do sertão era descobrir minas de ouro, prata e pedras preciosas. A expectativa pela região foi despertada pelo segredo das minas de Belchior Dias. Assim como os currais de gado foi uma consequência ao povoamento do Vale do São Francisco, as minas da Serra do Assuruá foi uma das causas do povoamento do atual território municipal.
Em relação à descoberta das minas de ouro nas serras do Assuruá e Santo Inácio, no século XVIII, a região já se encontrava repleta de rebanhos bovinos dos quais eram exportadas boiadas com 200 e 300 cabeças para o litoral. É nesta região de fazenda que se ergueu o aldeamento de Xique-Xique. A princípio iniciado na Ilha do Miradouro. Por volta da segunda metade do século XV ou XVI, se erguiu uma capela dedicada a Santa Ana.
A Ilha do Miradouro, assim chamada em razão de um dos fundadores do povoado dizer: “daqui miro o ouro nas serras”, teve como seus primeiros habitantes brancos de olhos azuis os quais presume-se terem sido de origem portuguesa. A Ilha pertencia ao Fidalgo Coronel Garcia D` Ávila, pertencente à Casa da Ponte, que também fizera várias excussões pela região.
Por volta do século XVI, ergue-se em terra firme um núcleo de povoação na fazenda Praia de propriedade de senhor Teobaldo de Carvalho, à margem direita da Ipueira de Xique-Xique. Conta à lenda que um tropeiro em direção a Salvador tivera certa manhã, sua tropa espalhada indo encontrar um dos burros no dia seguinte já descarregado e deitado à margem da Ipueira. Ao encontrar o animal o viajante fora acometido de uma intolerante dor de cabeça. Por inspiração, o viajante fez uma promessa ao Senhor do Bonfim, no sentido de que se a dor de cabeça passasse ergueria no local onde o burro estava deitado, uma capela e deixaria nela a imagem do Senhor do Bonfim que trazia consigo. Após a promessa solene, aliviou a dor de cabeça. Compreendeu o tropeiro que a imagem do Senhor do Bonfim não desejava sair da região. Construiu a Capela e nela colocou a imagem que ficou sendo o Padroeiro da Cidade.
O desenvolvimento da povoação obedece a fatores diversos: primeiro a riqueza do peixe da Ipueira; segundo, a redescoberta do ouro e diamante nas Minas do Assuruá. Em 1714 o arraial já bem desenvolvido foi elevado à categoria de distrito com seu território desmembrado do distrito de Sento Sé. Pelo decreto de 6 de julho de 1832, Xique-Xique é elevado à categoria de vila.
A criação de gado como atividade, inicialmente, subsidiária às indústrias açucareira das capitanias de Sergipe, Pernambuco, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, muito auxiliou o povoamento do território municipal. Os primeiros povoadores do município, no que concerne à alimentação, passaram por sérias dificuldades. Carne e leite eram abundantes, porém, faltavam-lhes os alimentos básicos do sertanejo. No começo nada se plantava julgando a terra estéril. Só muito depois foi introduzido o cultivo de feijão, milho, mandioca e cana-de-açúcar. Os índios também cultivavam algodão, melancia, abacaxi e até cabaças.
Com a República, surgiu para Xique-Xique mais uma oportunidade de prosperidade: a extração da cera de carnaúba. Nestes períodos, surgiram na região, lutas sangrentas. O ajustamento em Xique-Xique foi satisfatório, embora só tenha ocorrido após a segunda Guerra Mundial. Ressurge a calma em Xique-Xique, aliás, é bom frisar, a participação nestas lutas foi mínima, e o crescimento recomeça. Passa então, a cidade, a receber os foragidos políticos de outras comunas vizinhas onde ainda continuavam as lutas. A classe dominante se fortalecia com o elemento da aristocracia de outras comunas, razão pela qual, estabelece a aristocracia em Xique-Xique oposta aos tradicionais pescadores fundadores da cidade.
Daí por diante, a economia de Xique-Xique toma novos rumos no caminho do crescimento. A cidade passa a competir com a comunidade de Barra, no comércio e nos incentivos culturais. Fundam-se sociedades filarmônicas, grupos teatrais, centros literários e vários jornais como “A Ordem”, “O Progresso” e “Luz”, todos, porém, de vida curta.
Pelo Ato de 09 de julho de 1890 é criado o município de Gameleira do Assuruá como território desmembrado de Xique-Xique. Com este novo município Xique-Xique perde a sua principal área de extração de ouro e de diamante.
Pela Resolução de 28 de abril de 1900, foram criados os distritos de Mata- Fome, Tiririca e Pedras, cuja aprovação ocorreu a 06 de junho de 1902.
Com a Lei Estadual nº 2.082, de 13 de junho de 1928, a vila de Xique-Xique passa à categoria de cidade e pela Lei nº 2.204, de 08 de agosto de 1929 foi criado o distrito de Canabrava do Gonçalo passando o município a compor-se pelos distritos de: Xique-Xique (sede), Canabrava do Gonçalo, Mata-Fome, Pedras e Tiririca.
Os decretos estaduais de números 7.455 e 7.479, respectivamente, de 23 de junho e 08 de julho de 1931, extingue o município de Gameleira do Assuruá e novamente incorpora seu território ao de Xique-Xique. Dois anos depois, pelo decreto 8.543, de 15 de julho de 1933, o ex-município de Gameleira do Assuruá é restaurado, passando Xique-Xique a ter uma nova composição administrativa. No quadro administrativo de 1933, iremos encontrar o município de Xique-Xique formado pelos seguintes distritos: Xique-Xique (sede), Canabrava do Gonçalo, Mata- Fome, Pedras e Tiririca.
Pelo Decreto nº 9.114, de 1º de outubro de 1934, Tiririca teve sua sede transferida para o povoado de Central, ex-Roça de Dentro. Esta transferência não chegou a se concretizar. Interesses comuns, tanto da parte de Tiririca como de Central, somaram esforços no sentido de impedí-la, como de fato impediram-na. Em consequência da insatisfação gerada entre os políticos das duas comunidades, foi expedido o Decreto nº 9.387, de 26 de fevereiro de 1935, suspendendo a transferência da sede de Tiririca para Roça de Dentro e criando o distrito de Central. Passou, a partir daí, o município a compor-se pelos distritos acima nomeados mais o distrito de Central recém-criado. Esta composição se manteve inalterada até a emissão do Decreto Estadual nº 11.089, de 30 de novembro de 1938, o qual introduziu modificações toponímicas. Mata-Fome passou a denominar-se Ibiacema, Pedras para Marrecas e Canabrava do Gonçalo para Uibaí.
Em 1931 Xique-Xique já exportava carnaúba, peixe, couros e peles e importava alimentos e combustível doméstico (querosene de cozinha). Com a carnaúba muitos xiquexiquenses passaram para a condição de afortunados, dessa forma a comunidade alcançou o seu apogeu.
Em 1940 surgiu na localidade de Rumo um garimpo de cristal de rocha. Este garimpo foi desativado com o término da Segunda Guerra Mundial. Alguns reflexos positivos constataram-se com a extração do cristal. Xique-Xique passou a ser o maior centro comercial da região.
Durante esta fase de desenvolvimento acentuado, Xique-Xique abre caminho à Capital do Estado buscando a expansão da comunidade. É neste período que teve início o povoamento da região do Município. Com os seus interesses preso a determinadas comunas vizinhas, a zona do centro ambiciona sua própria emancipação político-administrativa abrangendo as vilas de Tiririca, Central e Uibaí.
Políticos do “Centro” arregimentaram forças em favor da emancipação de Central almejando, deste modo, um projeto de emancipação política do distrito de Central transformado na Lei Estadual nº 1.017, de 12 de agosto de 1953. Com a autonomia de Central, Xique-Xique perdeu os distritos de Central, Lagoa da Canabrava e Uibaí, provocando uma queda no seu efetivo populacional.
No quadro administrativo de 1965, Xique-Xique se apresenta com o seguinte quadro: Xique-Xique (sede), Copixaba, Iguira e Tiririca. Hoje, este quadro houve alteração, já que Tiririca, depois de emancipada, tornou-se Itaguaçu da Bahia.
Pela Lei Estadual nº 628, de 30 de dezembro de 1953, foi criado o distrito de Lagoa da Canabrava, também transferiu a sede do distrito de Ibiacema para o povoado de Fazenda Nova com a denominação de Copixaba e alterou o topônimo de distrito de Marrecas que passou a denominar-se Iguira.
O município de Xique-Xique possui como distritos: Iguira, composto pelos povoados de: Nova Iguira (sede); Associação Baixa do Cipó; Itapicuru; Nova Vida do Itapicuru; Vacaria; Rumo; Serra Azul; Marreca Velha; Canto de Pedra; Nova Boa Vista; Boa Vista; Roçado da Boa Vista; Carneiro; Porto Franco; Sítio; Muritiba; Vista Nova; Curral do Meio; Babosa; Angico do Rio Verde; Roçado do Rio Verde; Cantinho; Areia Branca; Alto do Santana; Mato Grosso; Estevão; Umburana; Juremal; Curral de Hernestino; Umbuzeiro; Fazenda Pedra e Vicente e o distrito de Copixaba, composto pelos povoados de: Angico; Paulista; Besouro; Tatuzinho; Jenipapo; Malhador; Pesqueiro; Ilhota; Pajeú I e II; Alto da Santa Cruz; Porto do Umbuzeiro; Barro Branco; Angical; Retiro da Picada; Lajes; Arroz; Juazeiro de Dentro; Caraíbas Rio; Brinco do Soinho; Associação do Bom Viver; Estevão; Carnaúba; Fazenda Santiago; Milho Verde; Maria Pereira; Itaparica; Associação do Miradouro; Capão do Martim; Cabeça do Surubim; Utinga; Nova Utinga; Forquilha; Saco dos bois; Alto Grande; Marruá I e II; Alto do Gonçalo; Pedrinhas; Mata Boi; Fazenda Manga; Manaíba; Fazenda Garrote; Campo Limpo; Água Branca; Capão do Saco, Sonhém.

Brasão da cidade (Foto: Reprodução/ Prefeitura de Xique-Xique)
Texto extraído do PME do Município de Xique-Xique, publicado no Diário Oficial do Município 3, quinta-feira, 18 de junho de 2015 | Ano III - Edição nº 00400 | Caderno 1.



SERPENTE ENCANTADA DO MIRADOURO
As lendas locais constituem um ponto alto da cultura brasileira. Muito conectada ao folclore, são importantes na construção historiográfica dos povos de determinadas regiões. Juntando elementos simbólicos da cultura sertaneja, como a natureza e a religiosidade, contribui no contar cotidiano das famílias nordestinas. Esse é o caso de uma cidade no interior da Bahia com fortes valores passados de geração a geração.
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| Lenda é atrelada à construção da Igreja de Nossa Senhora Santana (Foto:Reprodução: internet) |
A Igreja de Nossa Senhora Santana, localizada na
Ilha do Miradouro, em Xique-Xique, é, segundo a tradição, o mais antigo templo
da região do médio São Francisco. A
construção dessa igrejinha é do início do século XVIII e se deve a um caboclo
rico chamado Robério Dias Muribeca, neto de Caramuru e da índia Paraguaçú. Diz uma
das versões da lenda, que a mãe de Robério virou uma serpente encantada porque
não gostava de rezar, daí ele construiu
uma igreja na Ilha do Miradouro para acorrentá-la debaixo do altar. Conta-se
que de sete em sete anos ela vem dar de mamar às crianças que não gostam de
rezar, e sempre anuncia sua chegada com um estrondo na igreja, deixando-a toda
rachada. Os devotos rezam o "ofício" senão a serpente aparece e sai
comendo tudo.
SAMBA DE RODA DAS RIBEIRINHAS DO MUNICÍPIO DE XIQUE-XIQUE/BA (GRUPO NA PISADA Ê)
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| Roda de Samba em Xique-Xique (Foto: Reprodução/ Markleide Oliveira) |
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| Grupo "Na Pisada Ê" (Foto: Reprodução/ Markleide Oliveira) |
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| Ribeirinhos em Roda de Samba (Foto: Reprodução/ Markleide Oliveira) |
BREVE HISTÓRICO
A
missão do grupo é fazer com que a população xiquexiquense perceba que a cultura
faz a diferença na construção das identidades e sua valorização é um mecanismo
que garante a sua difusão na sociedade. Trabalhos como este, ajudam despertar nas
pessoas um sentimento de valorização pela cultura da cidade de Xique-Xique.
A seguir, uma reportagem da TV OESTE, a qual cita essa lenda.
A seguir, uma reportagem da TV OESTE, a qual cita essa lenda.
Fonte Histórica Popular




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